Felizes os que acolhem a Palavra

25/08/2010 15:36

 

A Bíblia é um conjunto de escritos que contam a vida de um povo que identificou os diversos acontecimentos da sua história à luz da intervenção de Deus. O mais significativo dos acontecimentos dessa história é a morte e ressurreição de Jesus, o Filho de Deus, e o consequente anúncio do seu Reino. Jesus é, por excelência, a grande Palavra de Deus dada à humanidade.

A Palavra de Deus está "cheia" da força do Espírito. Nasceu da vida e, pela presença do Espírito, uma vez acolhida, continua a gerar vida na vida dos crentes. Na história desse povo revemos a nossa vida. O profeta Isaías (55, 10-11) compara a Palavra de Deus à chuva, que desce à terra para a fecundar. Para ser, de facto, fecunda é fundamental que a Palavra, nascida e portadora de uma história e de uma cultura, seja constantemente actualizada, num trabalho contínuo de interpretação. Sem a interpretação, tarefa sempre difícil, corremos o risco de a acolher como quem visita um museu, esvaziando-a de sentido para o tempo e lugar em que vivemos.

Nós acreditamos num Deus vivo, aqui e agora, contemporâneo das nossas vidas e das nossas interrogações. Na celebração da Eucaristia, a homilia tem como função tornar presente e com sentido os textos que, atravessando toda a história, só são completamente compreensíveis a partir da leitura dos acontecimentos e da vida de uma comunidade concreta e actual.

A assembleia dominical é o lugar priviligiado para escutar a Palavra: Deus fala ao seu povo reunido, estabelecendo comunhão connosco. Ele cativa-nos, ilumina a nossa vida, faz apelo à mudança das nossas atitudes e ao nosso compromisso, propõe-nos uma Aliança de amor.

Acolher a Palavra é deixar que ela nos confronte e mude o nosso coração, para o tornar semelhante ao coração de Jesus; é a possibilidade de termos um outro olhar sobre nós, os outros e toda a realidade que nos rodeia - um olhar cheio de esperança e de possibilidades.

Onde Moras? Editora Paulinas