Cristianismo

17/07/2010 13:08

Os cristãos são os seguidores de Jesus. De Jesus, o Cristo, ou o Messias. (...)

Jesus viveu na Palestina até aos 33 anos. O que se sabe hoje da vida d`Ele foi-nos transmitido por textos escritos, décadas depois da sua morte, por alguns dos seus seguidores. Esses textos, que compõem o Novo Testamento, uma parte dos livros que fazem parte da Bíblia, não nos dão, porém, nenhuma pista sobre Jesus entre os 12 e os 30 anos. Só é possível, à luz dessas fontes, recriar a sua vida enquanto criança e depois, em adulto, nos três em que cumpriu o seu ministério, fez seguidores, foi crucificado, morreu, ressuscitou.

Nesses três anos de vida pública, o "filho" do carpinteiro ensinou multidões, curou enfermos, fez imensos milagres e deixou uma mensagem de paz, de amor ao próximo, de reconciliação da humanidade com Deus. Amar a Deus e amar o próximo como a si mesmo são os principais mandamentos que nos deixou. Ele deixou-nos a sua vida como caminho a seguir.

Jesus falava em parábolas, pequenas histórias em que ensinava o seu pensamento através de situações do quotidiano. Jesus - e isso é referido em diversos textos do Novo Testamento - falava com tal convicção, "com autoridade", que arrebatava as multidões.

Na época, havia um sentimento forte de revolta da Palestina contra o ocupante romano e muitos pensavam que Jesus seria o lider por que aguardavam para os libertar do jugo de Roma. Para Jesus, porém não havia judeus ou romanos, apenas seres humanos que importava respeitar e amar. Ele não falava apenas para aquelas multidões que O escutavam, mas dirigia-se já a toda a humanidade.

Desse equívoco acabou por resultar a sua condenação à morte - por crucificação - algo comum naqueles tempos no Império Romano. Não deixa de ser paradoxal imaginar-se Deus, enquanto homem, a sofrer os horrores da flagelação, de ter de transportar os madeiros da cruz em absoluto tormento do corpo, a ser pregado de mãos e pés, içado para o alto e deixado aí a agoniar até à morte.

Para os crentes, não poderia haver maior exemplo do amor de Deus pela Humanidade. Faz-se homem, sofre terrivelmente para expiar os nossos pecados e nos indicar o caminho do Céu, o sentido da eternidade.E fá-lo assumindo plenamente a fragilidade humana, a dor, a angústia, o medo. Ele, que nos três anos anteriores passou o tempo a curar enfermos, a ressuscitar até alguns mortos, a ensinar que nada é impossível à fé, não se revestiu da condição divina para sobreviver àquela situação humilhante e dolorosa da morte na cruz. Morreu como homem para renascer, ressuscitado, como o Deus que também é e assim nos indicar a todos o caminho da salvação.

A história de Jesus é uma história de abandono na fé, de confiança. Veja-se Maria, que recebe a visão de um anjo a dizer que vai conceber um menino, ela que é virgem ainda. Imagine-se isso acontecer nos dias de joje. Agora, recuemos no tempo, para a Palestina rural de há dois mil anos. E que dizer de José, que não a repudiou? E como comentar a adesão pronta e incondicional dos doze apóstolos que deixaram tudo, família, amigos, e seguiram Jesus como o Mestre. Mas quem eram eles? Filósofos que procuravam enriquecimento intelectual? Não. Eram humildes pescadores, gente na sua maioria sem grande cultura, mas que não tiveram medo de seguir um desconhecido que usava palavras estranhas e contava histórias em forma de parábolas.

Jesus - de quem não há um retrato desenhado sequer, apenas a hipótese de ser d´Ele o rosto do Santo Sudário, o pedaço de pano em que o seu corpo foi embrulhado depois de descido da cruz, já cadáver - deve ter sido um sedutor. O seu olhar e a sua voz deviam descer até à alma dos que se cruzavam com Ele. Morreu e ressuscitou. é nisso que acreditam os cristãos - já São Paulo dizia que se não fosse assim, se não tivesse acontecido a ressurreição de Cristo, seria vã a nossa fé... Jesus morreu no sopé de um monte, crucificado ao lado de dois vulgares malfeitores, escarnecido por uma multidão que antes o seguiu e escutou maravilhada.

Ali no momento da morte, apenas estavam o discípulo João - aquele que Ele mais amava - e algumas mulheres. Morreu, muito provavelmente, mais angustiado por essa tremenda solidão, por se ver abandonado e incompreendido por quase todos, do que pela dor física horrível que estava a suportar. Quando foi tomada a decisão de mandar crucificar Jesus - que fez perdurar até hoje a célebre expressão de Pôncio Pilatos, "lavo daí as minhas mãos" - ninguém acreditaria que algum movimento ou rebelião sobrevivesse ao seu falecimento. No entanto, ficou uma semente de onze apóstolos e algumas mulheres, e um medo enorme entre os seus. Mas a fé e o Espírito Santo superaram tudo. Das catacumbas, o cristianismo passou a ser religião oficial do Império Romamo e, aos poucos, chegou a todo o mundo. O conceito da missionação - a conversão das pessoas à mensagem de Cristo - é um dos princípios desta Igreja universal. (...)

Para os cristãos, Jesus é Filho de Deus. Nasceu humano, apesar da sua condição divina, para estar mais perto de nós, na tristeza e na felicidade, no amor e na dor. Até na morte. Jesus viveu a fazer o bem, a doar-se aos outros, a ensinar. O amor ao próximo é a chave para a compreensão do cristianismo. Deus, em Jesus, fez-se homem para que o homem possa aspirar ao eterno.

Para os cristãos, o Messias que era prometido no Antigo Testamento é Ele, Jesus. Após a morte, na cruz, ressuscita ao fim de três dias e aparece aos apóstolos e a elgumas das mulheres que O seguiam.

O cristão acredita que a vida na Terra irá determinar o seu destino para toda a eternidade. No final dos tempos, todos serão julgados consoante as suas obras em vida e assim serão recompensados com o Céu ou condenados ao Inferno.

Um dos dogmas mais difíceis de explicar no cristianismo a um não-crente é a Santíssima Trindade. Deus é Pai e, ao mesmo tempo, é o Filho (Jesus Cristo) e o Espírito Santo. É um pouco como a água, que pode estar em estado líquido, sólido ou gasoso mas que não deixa de ter sempre a mesma identidade.

 

Paulo Aido

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